Altos Voos
Como uma pessoa com surdez encara os voos de avião?
A pedidos, relembrei aqui nesta página TRÊS das minhas viagens mais memoráveis:
1- A Mais engraçada:
Macaé, 2005
Me convidaram pra fazer uma palestra em Macaé-RJ. E era pra ir de avião. Esta foi a viagem aérea mais engraçada das tantas que já fiz.
Eu morava em Americana-SP e o percurso seria do Aeroporto Guarulhos-SP até Macaé-RJ, com algumas conexões. A senhora que fez o convite e cuidava dos detalhes da viagem me ligou, lá de Macaé:
- Alô Sr. Roner. Sua passagem já está reservada. Basta ir ao guichê da Oxener e fazer o checkin.
- Oi? Como?
- Oxener!! Pegue uma caneta, vou soletrar:
"O-X-E-N-E-R"
- Aaahh, não conheço esta cia aérea, mas, tudo bem. Chegando lá eu acho.
E lá fui eu, de ônibus+táxi, pro aeroporto de Guarulhos.
Entrei naquele saguão enorme e olhei os letreiros: TAP, TAM, QANTAS... mas, onde diacho eu acho a Oxener?? "o-x-e-n-e-r".
Me postei no meio do saguão de checkin, girei 360º... e nada de Oxener. Já ia chegando a hora do voo, mas nao me abalei. Haverei de achar!!!
Faltando meia hora, eu ainda no meio do saguão, virando de um lado pro outro procurando a bendita Oxener, aí passa uma mocinha, com uma grande placa de acrílico debaixo do braço. Vai prá um guichê vazio e pendura a placa. Eu então leio a mesma e... disparo a rir, sozinho, no meio do saguão, com um povo ao lado. Rindo, rindo, rindo... quem me viu, achou que eu era louco.
Na plaquinha, escrito bem bonito e colorido, o nome da Cia Aérea: "OCEAN AIR".
Aaaaahhh, bem!! Agora sim.... ouchean air!!
Bem, convenhamos que a pronúncia parece mesmo "oxener". E é beeeem mais fácil de falar.
E lá fui eu, fazer o checkin.
A moça disse que havia apenas TRES passageiros naquele voo. O Roner Dawson, o Roner Barbosa e o Pedro Silva.
Ooops... perae, estes dois Roners ae sou eu mesmo. Pode cortar um.
Haviam feito duas reservas em meu nome.
E lá fui eu, embarcar no pequeno avião, junto com o Pedro Silva, um dentista que ia para um congresso em São José dos Campos. Havia uns 5 tripulantes na aeronave. Para 2 passageiros!!
Em São José, o dentista, um brincalhão, me falou: "50% dos passageiros deste avião irão desembarcar aqui." E lá foi ele, um único passageiro representando a metade de todos.
Outros passageiros entraram, para ir até o Rio, onde a maioria desembarcou. E uns poucos seguiram viagem para Macaé.
Ao desembarcar no aeroporto de Macaé, pude assistir uma revoada de helicópteros levantando voo rumo à plataforma de petróleo. Parecia cena do filme "Apocalypse Now". Só faltou o corneteiro da "cavalaria" (cena aqui)
O retorno desta viagem teve traços de tragicomédia. De Macaé, fiz uma conexão no Aeroporto Galeão, no Rio. Era minha 1ª vez naquele grande aeroporto e eu ficaria lá por umas 2 horas. Prá matar e aproveitar o tempo, sentei-me numa "lan-house", aquelas antigas lojas onde a gente alugava um computador por hora. E lá fiquei, conversando com a Cris da ADAP via MSN. E o tempo fluiu.
Quando olhei o relógio.... meu Deus!! Hora de embarcar!! Levantei rapidamente e fui pagar a conta.
- Nossa!!! que caro! Não tenho dinheiro! Aceita cheque??
- Nao senhor!
- Mas moça, não tenho esta quantia em dinheiro. Vai ter que ser em cheque.
- Teremos que consultar o proprietário, senhor.
Ah, meu Deus. Não temos tempo. O horário já estava em cima. Fiz um cheque no valor, coloquei em cima do balcão da moça e... partiu! Corri para a... a... a... ai, caramba, onde é mesmo a sala de embarque deste aeroportão???
Corre daqui, pergunta dali, consegui achar a sala. Entrei e tava bem tranquilo naquela tarde de domingo. Em alto e bom som, pude ouvir (obrigado implante coclear) a voz no alto falante, que chamava:
- Atenção sr. Roner!! Sr. Roner Dawson, o voo 4567 espera pelo senhor no portao 18.
Portão 18, Portão 18... onde é o portão 18??
Meu olhar aflito encontrou o olhar aflito da mocinha do alto-falante, que me fuzilou um "Sr. Roner????". Sim, senhora. Corre, que eles estao esperando pelo senhor.
Ela então levantou a mão em minha direção e juro que pensei que ela ia me dar um tapão na cabeça, aquele famoso "pedala robinho" de antigamente. Mas não. Ela, delicadamente, só me deu um tapinha nas costas, talvez tentando fazer com que eu rolasse pela plataforma abaixo, a fim de chegar mais rápido no avião.
Entrei na aeronave meio esbaforido e trocentas cabeças se levantaram pra ver quem era o desastrado do tal do sr. Roner Dawson que tava atrasando o voo. Me sentei meio cabisbaixo na única poltrona vazia, a minha, e nem olhei pro lado.
Fiz minha costumeira oração em silêncio, o avião taxiou, levantou voo, e fui olhar pela janelinha, como sempre faço (não perco a beleza deste momento por nada). E quem tava sentada ali do meu lado? Ela, Avril Lavigne!!
Quem? Avril, uma menininha que fazia algum sucesso naqueles anos, cantando musiquinhas teen, sk8, essas coisa.
- Olá, tudo bem? Mora em Campinas ou no Rio?
- Sorry, sir, I don't speak portuguese.
- Oh, yeah, sorry.
E lá fui eu, esquecido da vergonha que passei, sapecando meu inglês na companheira de voo, que realmente era canadense, muito parecida com a Avril, e estava fazendo intercâmbio aqui no Brasil, mais precisamente em Curitiba, para onde estava indo. A família brasileira dela estava sentada logo atrás, de olhos atentos naquele senhor que, além de atrasar o voo, ainda tinha a ousadia de conversar naquele inglês sofrível com a menina.
E faze-la rir.
Roner Dawson
Cel. Fabriciano, setembro 2020
2- A mais significativa: Florida, 1999
(em breve)
3- A mais intensa: Nova York, 2001
(em breve)

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